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Relato de pa(i)rto 2

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Um filho é diferente do outro. Um parto é diferente do outro. Uma gravidez é diferente da outra. Três das cinco frases mais ouvidas por pais de 2ª viagem. As outras são “vocês são loucos” e “parabéns”. Então vamos lá... UMA GRAVIDEZ É DIFERENTE DA OUTRA Realmente a 2ª gravidez foi muito diferente da primeira. Desde o começo. Até pra Pri fazer xixi no palitinho achamos melhor esperar uma soneca do André. Descobrimos que ele teria companhia na semana do aniversário de 1 ano. Não contamos pra ninguém pra não tirar a atenção dele. Pelo menos mais uns dias sem concorrência. Deixamos para contar no Natal, quando soltamos o André no meio da família com a camiseta “Promovido a irmão mais velho”. Logo nas primeiras semanas começamos a ouvir sobre uma doença estranha na China. Nada preocupante, pelo menos até então. Bastaram mais 2 meses para o mundo virar de cabeça pra baixo. Toda a rotina que montamos para levar e buscar o André na escola, a Pri voltar a trabalhar e se dedicar por ...

Uma semana daquelas

Essa foi uma semana daquelas no trabalho... Começou triste ao ver que uma pessoa que eu gosto muito assinar os papéis para deixar a empresa. Tristeza essa que logo desapareceu ao ver o sorriso em seu rosto. Sorriso de quem sabia que podia se orgulhar por tudo que ajudou a construir. Que seu ciclo havia terminado e que era hora de outros profissionais treinados por ela terem a oportunidade de aplicar tudo o que aprenderam construindo um novo ciclo. Nos dias seguintes outros 2 ajustes foram feitos na equipe. Nunca é fácil acompanhar desligamentos. Mas às vezes eles são necessários. O ponto alto da semana foi a 5a feira. Começou com uma conversa com minha gerente. O assunto não era fácil. Mas a transparência, empatia e confiança mútua tornaram o papo leve, descontraído e muito produtivo. Saímos da sala rindo e sabendo do comprometimento de cada um com o assunto tratado. Em seguida participei de uma análise em grupo. Seguimos tão à risca a metodologia que voltei 15 anos no tempo e m...

Eu me tornei aquele pai

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Um dia desses, como faço todas as noites junto com a Pri antes de dormir, passei no quarto do André “só pra ver como ele estava”. Ele estava dormindo como um bebê. O que não me impediu de puxar um pouco o cobertor. Nos poucos passos que separam o berço dele da minha cama, eu me dei conta que tinha me tornado um pai que nunca imaginei que seria. Explico: Sou o filho caçula 14 anos mais novo que meu irmão Sandro. Sou o neto caçula do lado do meu pai e, por empate técnico com meu primo Renato, também do lado da minha mãe. Como a Pri me disse certa vez, fui acostumado a vida inteira a receber mais atenção do que dar. Definitivamente, isso não é um indicativo de que seria alguém muito atencioso com um filho. Tenho vários sobrinhos, o que talvez me permitisse usar o argumento de que “ajudei a cuidar de muitas crianças”. Mas meu nível de ajuda sempre foi mais em atividades como correr atrás da bola ou explicar as regras de algum jogo de tabuleiro. Ou seja, nunca ajudei a cuidar ...

O que seu chaveiro diz sobre você?

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Acho incrível como coisas simples me trazem inspiração para escrever. Um sapato engraxado rendeu uma história de aprendizado de pai pra filho, um livro novo me fez lembrar de como aprendi a gostar de ler e agora um chaveiro me fez lembrar de um antigo professor que transmitiu seu carinho por meu irmão para mim. Dias atrás, não sei bem o porquê, olhei com mais atenção para o meu chaveiro. Esse pequeno disco metálico foi cunhado há mais de 30 anos e é meu chaveiro há quase 20. Ele representa um dos meus maiores orgulhos profissionais: ter feito SENAI na Volkswagen.   Certa vez, no início dos anos 2000 resolvi arrumar a gaveta do meu criado mudo. Segundo minha tia Elza, ele está na família da minha avó desde a década de 1930. Não sei porque foi parar na casa dos meus pais e serviu de ponto de apoio no quarto dos meus irmãos até que “herdei” essa relíquia. Carreguei ele comigo por todas as mudanças que fiz. Faço questão de que fique do meu lado da cama até hoje. ...

Livros!

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Há pouco mais de um ano, uma simples engraxada em um par de sapatos me despertou memórias de infância com meu pai, as quais contei aqui. Agora, ao começar um novo livro, me lembrei de uma passagem muito legal envolvendo um livro e minha mãe e também de outros livros que foram marcantes na minha vida. Apesar do meu pai ser um assíduo leitor de jornal, o que o torna um homem muito bem informado apesar da pouca educação formal, não me recordo de ver o Seu Pedro com um livro. Já a D Edna, entre um tricô e um bordado, nas horas vagas está sempre lendo alguma coisa. Tenho certeza que esses ótimos exemplos me fizeram o bom leitor que sou hoje, hábito que quero transmitir pro André. E é justamente essa transmissão do hábito da minha mãe pra mim que traz o primeiro livro marcante da minha vida: A ILHA PERDIDA – Maria José Dupré Ah, a Coleção Vaga-Lume! Aposto que muitos que estão lendo esse texto já tiveram o prazer de abrir um livro dessa série com páginas amareladas e mu...

Relato de pa(i)rto

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Ao entrar na partolândia, esse mundo repleto de fraldas, carrinhos e itens de decoração infantil que ninguém fora dele imagina que exista, comecei a seguir alguns profissionais relacionados a gravidez, parto e pediatria. Com isso, todo dia me deparo com lindos relatos das mães. Mas acho que nunca li o relato de um pai. Apesar de sermos meros coadjuvantes nessa obra, gostaria de saber o que se passou na cabeça dos papais nesse momento quando todos os olhos estão para as mulheres e suas crias. Assim, aqui vai o meu relato de pa(i)rto: Como muitos já sabem, o André nasceu domingo, dia 16 de dezembro. Mas para melhor contextualizar, meu relato começa no domingo anterior, dia 9. Dois dias antes da gravidez completar as 40 semanas. Acordei por volta das 9h, com a Pri saindo do quarto. Fiz menção de me levantar, mas um pensamento me fez ficar na cama: “Pode ser a última vez em alguns anos que poderei dormir até a hora que bem entender”. Dormi até as 11h. Até o momento, meu p...