Livros!
Há pouco mais de um ano, uma simples engraxada em um par de
sapatos me despertou memórias de infância com meu pai, as quais contei aqui.
Agora, ao começar um novo livro, me lembrei de uma passagem muito legal
envolvendo um livro e minha mãe e também de outros livros que foram marcantes
na minha vida.
Apesar do meu pai ser um assíduo leitor de jornal, o que o
torna um homem muito bem informado apesar da pouca educação formal, não me
recordo de ver o Seu Pedro com um livro. Já a D Edna, entre um tricô e um
bordado, nas horas vagas está sempre lendo alguma coisa. Tenho certeza que
esses ótimos exemplos me fizeram o bom leitor que sou hoje, hábito que quero
transmitir pro André.
E é justamente essa transmissão do hábito da minha mãe pra
mim que traz o primeiro livro marcante da minha vida:
A ILHA PERDIDA – Maria José Dupré
Ah, a Coleção Vaga-Lume! Aposto que muitos que estão lendo
esse texto já tiveram o prazer de abrir um livro dessa série com páginas amareladas
e muitos ácaros para atacar a rinite.
Confesso que não lembro muito bem da história. O que tornou
esse livro especial foi a forma como eu li. Não me recordo quantos anos eu
tinha, mas as pouco mais de 100 páginas dele pareciam muito para mim. Pois bem,
para me ajudar, minha dedicada mãe resolveu que leríamos juntos todas as noites.
10 páginas por dia, uma página cada um.
Como disse, tenho certeza que foi ali que o gosto pela
leitura foi passado dela pra mim. Talvez, se não fosse esse revezamento
literário, eu provavelmente não teria lido os outros livros dessa lista.
LOLITA – Vladimir Nabokov
Tire esse risinho do rosto, esse não é um livro pornográfico.
Pelo contrário, é um clássico da literatura mundial e como todo clássico,
merece muito respeito. Talvez o único desse pedigree que eu li na versão
integral. Os Lusíadas (Camões), Dom Quixote (Cervantes) e Werther (Goethe) eu
li na versão resumida da Série Reencontro, então não conta.
O interesse por esse livro surgiu quando ele veio “de graça”
em um jornal de domingo, como forma de divulgar a coleção que a Folha (ou
Estadão?) estava lançando com grandes obras literárias.
A história mostra como um homem perturbado (com o curioso
nome de Humbert Humbert) destrói a própria vida e de todos a seu redor, com
marcas que a (não tão) inocente protagonista que dá nome à obra carregou por
toda a vida.
PARA GOSTAR DE LER vol 7 – Vários autores
Coletânea de crônicas maravilhosas. Texto curtos que
realmente nos fazem ter prazer em ler. O texto do Veríssimo sobre as “regras”
do futebol de rua me faz rir até hoje: “A bola pode ser qualquer coisa
remotamente esférica. Exceto, é claro, um ovo...”
Aliás, qualquer texto do Veríssimo tem a incrível capacidade
de me fazer chorar de rir. O cara é um gênio.
UM ESTUDO EM VERMELHO – Sir Arthur Conan Doyle
Minha primeira de muitas histórias de Sherlock Holmes!
Cresci jogando Scotland Yard (e também War, Banco
Imobiliário e todos os outros jogos de tabuleiro que meus irmãos e primos guardaram
no decorrer dos anos) e sempre gostei dos enigmas que tinha que desvendar, mas
nunca tinha lido as histórias que inspiraram o jogo.
No Ensino Médio, um professor recomendou a obra de Conan
Doyle e disse que “quem lê um livro nunca está sozinho, pois os personagens nos
fazem companhia”. Realmente, me sinto muito próximo de Sherlock e Watson quando
leio suas histórias. Tenho a coleção completa... só falta vergonha na cara de
pegar pra ler.
O CÓDIGO DA VINCI – Dan Brown
Depois da fase dos livros infantis, da ociosidade
adolescente e das nem sempre prazerosas leituras obrigatórias para vestibular,
fiquei um tempo sem ler por conta da correria dos primeiros anos da faculdade.
Mas a polêmica em torno do texto me despertou muito interesse e resolvi encarar
o calhamaço.
Foi uma ótima decisão. Com ele descobri o gênero policial “moderno”
e senti novamente prazer pela leitura, depois que os intermináveis contos de Machado
de Assis e o exagerado Amor de Perdição (Camilo Castelo Branco) me fizeram
preferir jogar Fifa nas horas vagas.
Li todos os livros do autor e espero ansiosamente por cada lançamento
dele. Como 3 ou 4 anos é muito tempo para esperar, me satisfaço com um autor
muito parecido chamado Steve Berry. Recomendação do meu primo Junior, um
assíduo leitor que sempre me empresta seus livros.
É isso... adoro ler e preciso me controlar para não sair
comprando livros em promoção na Internet e nas livrarias. Ebooks são práticos e
audiolivros são ótimos para acompanhar atividades que não exigem muita atenção,
mas nenhum deles supera a sensação de abrir um livro.
Espero poder transmitir
para o André esse ótimo hábito que meus pais e também minhas tias sempre
tiveram.
Alguém também gostou dos livros que listei? Tem outros
livros marcantes? Conta aí...
Abraços!

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